Páginas

sábado, 8 de setembro de 2012

Atividade Avaliativa I Língua Portuguesa 20/08/2012

Questão 1:


I- Leia o texto a seguir: (1,0 ponto)

Assaltante nordestino
_ Ei, bichim... Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula nem faça muganga... Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão, meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia...


Assaltante baiano
_ Ô, meu rei...(longa pausa) isso é um assalto...(longa pausa) Levanta os braços, mas não se avexe não... (longa pausa). Se nem quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado... Vai passando a grana, bem devagarinho...(longa pausa). Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado... Não
esquenta, meu irmãozinho (longa pausa). Vou deixar teus documentos na encruzilhada...


Assaltante paulista
_ Orra, meu... Isso é um assalto, meu... Alevanta os braços, meu... Passa a grana, meu... Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta e comprar o ingresso do jogo do Corinthians, meu... Pó, se manda, meu...
(Adaptado de CEREJA,William. Gramática Reflexiva)


De acordo com o texto acima, marque a alternativa que traz uma afirmação FALSA.
a) O texto retrata a variação linguística, evidenciando regionalismos no modo de falar do brasileiro.
b) O texto retrata alguns hábitos e comportamentos que caracterizam a cultura ou costumes de diferentes lugares do Brasil.
c) O texto tem certo humor que se revela nas marcas do falar regional e em algumas características como a lentidão para falar e agir do baiano.
d) Os diferentes modos de falar são uma evidência de que a língua não é uniforme.
e) A língua utilizada no texto retrata o modo de falar da chamada norma culta.
Resposta E
A alternativa E deve ser assinalada porque contém afirmação incorreta, pois o texto não usa a língua de acordo com a norma culta. Assim, a língua utilizada no texto é caracterizada pelos regionalismos e informalidade na fala.


II - (ENADE) Vamos supor que você recebeu de um amigo de infância e seu colega de escola um pedido, por escrito, vazado nos seguintes termos: (1,0 ponto)

“Venho mui respeitosamente solicitar-lhe o empréstimo do seu
livro de Redação para Concurso, para fins de consulta escolar.”

Essa solicitação em tudo se assemelha à atitude de uma pessoa que:
(A) comparece a um evento solene vestindo smoking completo e cartola.
(B) vai a um piquenique engravatado, vestindo terno completo, calçando sapatos de verniz.
(C) vai a uma cerimônia de posse usando um terno completo e calçando botas.
(D) frequenta um estádio de futebol usando sandálias de couro e bermudas de algodão.
(E) veste terno completo e usa gravata para proferir uma conferência internacional.
Resposta B
A opção B deve ser assinalada porque usar uma linguagem muito formal para pedir um livro emprestado a um amigo próximo é uma inadequação que pode ser comparada com o uso de roupas muito formais, como um terno completo, em uma situação informal, como um piquenique.


III- Imagine a seguinte situação: “Um desembargador diz a um grupo de estudantes do Ensino Médio: _ O vetusto vernáculo manejado no âmbito dos excelsos pretórios, inaugurado a partir da peça ab ovo, contaminando as súplicas do petitório, não repercute na cognoscência dos frequentadores do átrio forense.”. Muitos estudantes não entenderam nada do que disse o desembargador. A respeito dessa situação, é incorreto dizer que: (1,0 ponto)


a) Não houve adequação da linguagem, o desembargador deveria ter observado a situação de comunicação, o público-alvo, dentre outros aspectos.
b) A nossa fala deve variar de acordo com a situação ou com o contexto da comunicação, conforme as pessoas que nos ouvem, o assunto que estamos tratando ou a intenção de nossa mensagem.
c) Os termos técnicos utilizados - os jargões- dificultaram a compreensão por parte dos estudantes.
d) Este é um exemplo de variação decorrente da dimensão da função, isto é, de acordo com a profissão ou ocupação, uma pessoa ou grupo pode se valer da língua de forma bem específica.
e) Houve um problema na linguagem e canal utilizados, o desembargador deveria ter se expressado de uma forma mais simples.
Resposta E
A alternativa E deve ser assinalada porque não houve problema com o canal utilizado, pois o
problema diz respeito somente à linguagem inadequada ou inapropriada, ou seja, o problema está em o desembargador não se expressar de uma forma mais simples. Assim, a alternativa E deve ser marcada porque o meio ou canal utilizados não são responsáveis pelo problema na comunicação.


IV- Leia o Conto “Felicidade Clandestina” e responda as questões que estão propostas no final.

Felicidade Clandestina


Clarice Lispector


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme,
enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto,
com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos
entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde
morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia"
e "saudade".
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina
devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu
com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia:
continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-
me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente
acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as
ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me
mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse
no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu
recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí:
guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo
mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte
lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não
estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do
"dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de
seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando
mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo
ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a
olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe.
Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós
duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais
estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme
surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha.
Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta,
exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai
emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do
que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de
querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada.
Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as
duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito
estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li
algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga,
fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para
aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já
pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


QUESTÕES
a) No conto, qual é a felicidade clandestina que a narradora experimenta? (2,0 pontos)

A felicidade de poder ler o livro que ela tanto deseja, e que para ela seria difícil de possuír, então torna-se para ela uma "felicidade clandestina". O amor ao livro que não lhe pertence.


b) Escreva um pequeno texto (5 a 15 linhas) no qual você deverá comentar o tipo de relação que a narradora
(personagem principal) tem com o livro e a leitura. (5,0 pontos)

A relação de amor sem limites: “Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam”. Também uma relação de sofrimento:“eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados”.






Atividade Avaliativa I Introdução aos estudos da Educação 06/08/2012

Questão: "De que forma a instituição escolar contribui para o desenvolvimento da sociedade?"



A escola contribui formando cidadãos. Preparando para o futuro e ensinando a viver e trabalhar neste mundo em constante evolução, bem como orientá-los para a vida. Buscando o o exercício da cidadania. A escola deve mostrar aos novos alunos como é importante cada indivíduo e seu papel na sociedade, todos cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Os objetivos da educação são: tornar os indivíduos aptos à sociedade, ter a noção da cultura, desenvolver sua capacidade na própria sociedade.